quinta-feira, 28 de julho de 2011


'Vida moderna' explica maus hábitos alimentares dos brasileiros

Endocrinologista Márcio Mancini dá dicas para se alimentar melhor.
IBGE divulgou pesquisa sobre alimentação no país nesta quinta (28).

Luna D'Alama e Nathália DuarteDo G1, em São Paulo
Os resultados da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgada nesta quinta-feira (28), que mostram que a alimentação do brasileiro tem poucos nutrientes e calorias demais não surpreendeu o médico endocrinologista Márcio Mancini, chefe do grupo de obesidade da divisão de endocrinologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo. Para ele, a tendência é o problema piorar ainda mais.
“Fora a questão da americanização dos hábitos, há a conveniência que a vida moderna impõe. Você come o que é mais rápido, mais fácil, não tem tempo de preparar os alimentos, e come comida pronta”, explica o médico. “A alimentação tende a piorar cada vez mais, e a obesidade também”, afirma.

A pedido do G1, o endocrinologista deu dicas para que as pessoas se alimentem de forma mais adequada.Segundo Mancini, isso, associado à falta de exercícios físicos, ajuda a explicar um crescimento no número de obesos no país. “Há uma falta de atividade física do brasileiro, cujo lazer nos finais de semana é ficar em casa, na frente da televisão, do computador ou do videogame”, afirma.
Dicas para comer melhor:
- Escolher líquidos não calóricos, como suco de maracujá, acerola, melão, limonada, água de coco ou laranja diluída em água. É um erro achar que o suco de laranja não é calórico: ele tem tantas calorias quanto um refrigerante, apesar de mais nutrientes.
- Preferir alimentos in natura, como saladas e verduras refogadas, com pouco óleo.
- Separar os alimentos em porções menores.
- Não se acomodar e cuidar sempre da alimentação.

Outro ponto importante, segundo ele, é preferir fazer as refeições em casa. “Uma alimentação preparada em casa sempre tem menos calorias e gorduras que a industrializada”, afirma o médico.
“Não dá para fugir totalmente dos produtos industrializados, mas é possível escolher o que é mais saudável”, recomenda.
Na prática
Rosângela antes e depois da perda de peso (Foto: Arquivo pessoal)Rosângela antes e depois da perda de peso (Foto:
Arquivo pessoal)
A má alimentação e a ausência de exercícios foram exatamente o que fizeram a massoterapeuta Rosângela Souza Barbieri chegar aos 95 kg aos 22 anos. Ela não praticava atividades físicas, comia muita fritura e tinha nos doces o consolo para todos os problemas.
Indícios de uma depressão, no entanto, a fizeram mudar de vida. Depois de 1 ano e dois meses de dieta e academia, ela perdeu 33 kg.
“Eu estava com 22 anos e era muito nova para estar com esse peso. Tinha acabado de sair de uma gravidez e minhas amigas eram todas magras e bonitas. Isso fez com que eu começasse a deixar de sair de casa, me escondesse nas fotos, estava com a autoestima no chão”, conta Rosângela, hoje com 32 anos.
A primeira grande mudança na rotina da massoterapeuta aconteceu na alimentação. “Eu troquei massas e pães brancos por integrais, reduzi a ingestão de doces significativamente e aboli os refrigerantes da dieta. A prática de exercícios físicos também foi fundamental para melhorar a disposição e o condicionamento”, diz.
Rosângela não se adaptou a dietas propostas por nutricionistas e médicos e decidiu pesquisar por conta própria os alimentos que deveria substituir. Funcionou. Hoje, há nove anos mantendo o mesmo peso, a massoterapeuta considera que essa foi uma das escolhas mais acertadas que já fez.
“Eu participo atualmente de corridas de rua e elas são minha grande paixão. Graças a uma alimentação balanceada e aos exercícios eu consigo manter meu peso, posso comprar roupas que vejo nas vitrines, me trocar na frente de amigos. A vida é muito melhor. Com a corrida, ainda modelei meu corpo e hoje minha barriga é meu orgulho”, brinca.
Para Mancini, Rosângela provavelmente não tinha tendência a engordar e seu excesso de peso vinha somente da má alimentação.
“Às vezes, apenas mudar o estilo de vida faz com que a pessoa emagreça e fique mais saudável, o que deve ser o caso da Rosângela. Mas não é qualquer um que faz isso. Algumas pessoas, mesmo com bons hábitos, podem ganhar peso”, explica. Nesses casos o acompanhamento de um nutricionista e um médico se faz necessário.
 

Importante


Mastigação não tem número mágico
e depende da consistência da comida

Consultor Alfredo Halpern falou da importância de se alimentar com calma.
Segundo psiquiatra Adriano Segal, come-se mais após pico de ansiedade.

Do G1, em São Paulo
Após o Bem Estar desta quarta-feira (27), o endocrinologista Alfredo Halpern falou mais sobre a importância de se alimentar com calma.
O ideal é que, pelo menos nas refeições principais, leve-se no mínimo 20 minutos para comer. Isso aumenta a saciedade e faz com que a pessoa se curta mais e também os alimentos, pois comer é um dos prazeres da vida, na opinião do médico.
Não há um número mágico para mastigar um alimento, segundo Halpern. Em geral, as pessoas falam de 25 a 30 vezes, mas depende do tipo e da consistência da comida. O ideal é que seja o máximo possível.
Se um casal tem diferença de velocidade na hora de comer (um come rápido e o outro devagar), a tendência é que o primeiro repita mais vezes para acompanhar o companheiro.
O especialista recomendou prestar atenção à maneira como você come, e engolir tudo de uma vez não é bom. Arroz, macarrão e batata são alimentos que as pessoas consomem rapidamente, não contêm fibras nem matam a fome mais rápido. As proteínas saciam mais depressa. Depois vêm os carboidratos e as gorduras – estas são as mais perigosas para voltar a comer.
Halpern destacou que alguns estudos mostram que, depois de muito tempo com fome, essa sensação pode passar.
Ansiedade e compulsão alimentar
O psiquiatra e especialista em transtornos alimentares Adriano Segal deu dicas para não sentir tanta fome à noite.
Ele também falou sobre a síndrome alimentar noturna e o transtorno da alimentação relacionado ao sono.
Segundo o médico, as pessoas costumam comer mais quando passa o pico da ansiedade e vem o relaxamento.
Ele deu dicas para as crianças não comerem tanto e falou sobre o uso de antidepressivos no combate da ansiedade e da compulsão alimentar.
Dormir não dá fome, pelo contrário: a tendência é o indivíduo comer menos após uma boa noite de sono. Mas comer demais pode causar sonolência.

Bom dia, estou muito feliz com meu jejum até aqui eu já eliminei -2 kg. ontem dei uma exagerada no almoço mas me controlei logo em seguida...